domingo, 6 de janeiro de 2008

“Ano novo, vida nova”

Pois é, já muitos de nós ouvimos ou até proferimos esta frase: “Ano novo, vida nova”, como forma de impormos a nós próprios uma alteração substancial na nossa vida. É precisamente nesta época que repensamos o que correu bem e o que correu mal no ano anterior e o que pretendemos alterar para o futuro. E muitas vezes o que acontece quando nos obrigamos a pensar, é acordarmos momentaneamente para o que se passa à nossa volta e tudo se torna mais clarividente.
No entanto existem hábitos, situações, problemáticas na nossa vida que estão tão enraizadas que se torna difícil alterá-las, exactamente porque na maioria das vezes não se sabe porque estão a acontecer, ou porque a situação é de tal forma delicada que não se tem coragem de abordá-la, e assim se vai passando o Ano sem que nada se altere significativamente, voltando à próxima Passagem do Ano exactamente na mesma situação ou pior.
Poderei dar alguns exemplos: o caso de um casamento infeliz que se anda a arrastar há algum tempo, causando infelicidade para uma ou para as duas pessoas envolvidas, mas que por comodismo, falta de iniciativa, receio de enfrentar uma situação dolorosa, ou receio do sofrimento dos filhos, vai acabando por ser adiada consecutivamente. Na maioria das vezes as pessoas pensam que a única solução é a separação, e a angústia que isso causa, impede a pessoa de agir. No entanto, o enfrentar a situação, nem sempre passa pela separação, pode passar primeiro por perceber-se o que se passa no casal, entender-se qual ou quais os motivos que fazem com que aquela relação não esteja a funcionar, e trabalhá-los. Após o casal entender o que realmente se passa e estar motivado para tal, é que se poderá ver qual o desfecho que a situação vai ter: separação, ou não.

O mesmo se passa a nível individual, quando uma pessoa não está satisfeita com a sua vida, quer seja o estilo de vida pessoal que está a ter, quer seja a nível profissional, vai-se instalando um certo mal estar ao qual a pessoa se vai acomodando e habituando, porque o desvaloriza, deixando passar a situação, na vã esperança que ela desapareça “por obra e graça do Espírito Santo”.

É o caso de pessoas com perturbações alimentares, que prejudicam gravemente a saúde, e que muitas vezes tentam em vão alterar o comportamento prejudicial e não conseguem. Se não entenderem o que motiva essas perturbações, não vão conseguir deixar de as ter. É necessário perceber-se que mecanismos estão por detrás de um estilo de vida auto-destrutivo, trabalhá-los para que posteriormente se possam diminuir esses comportamentos.

Outro caso é o das pessoas permanentemente insatisfeitas com a sua vida profissional, e em que acham que já não há solução e como tal não a alteram, habituando-se a ver sempre os mesmos colegas ficarem com as promoções de final do ano, ou ver colegas com mais habilitações e menos anos de experiência subirem rapidamente, provocando aquela sensação de injustiça acompanhada de impotência.

  • O que levará tanto num caso como noutro as pessoas “actuarem” passivamente no percurso da sua vida? O que fará as pessoas acomodarem-se às situações mais dolorosas sem nada fazer?
São múltiplos os factores, nos dois casos. Cada caso é um caso e a história de vida da pessoa em questão e a formação da sua personalidade são de vital importância. No entanto existem dois factores que todos nós podemos exercitar : a auto-estima e a auto-confiança. Se elas não existirem, é como se as pessoas achassem que não merecem melhor, ou que fossem incapazes de melhorar a sua vida. O técnico terá que trabalhar todos os outros aspectos que condicionam a problemática, visando sempre melhorá-los, pois sem eles é impossível, uma pessoa alterar o seu comportamento.
Mais uma vez estão referenciados apenas alguns exemplos, mas a análise elaborada pode-se aplicar a muitos outros com os quais as pessoas se sintam identificadas.

Um conselho para quem quer alterar a sua vida, quer seja no inicio deste ano ou noutra altura qualquer, é começar por ponderar acerca da sua vida e fazer uma análise acerca do que pretende alterar. Pode-se recorrer por exemplo ao método da "famosa lista de Bridget Jones: O que pretendo alterar no próximo ano", enumerando assim vários aspectos com os quais não se sinta bem. Ao fazer isso já está a obrigar-se a pensar sobre o assunto e poderá chegar a algumas dúvidas (que é sempre benéfico) e até a algumas conclusões. Se chegar à conclusão de que tem que pedir ajuda técnica deve fazê-lo, pois se a maioria dos problemas passam apenas por questões quotidianas, outros são questões mais problemáticas do foro emocional e/ou cognitivo que com o tempo se vão agravando e nesse caso deve-se intervir o mais cedo possível.

Estas foram algumas situações do quotidiano que achei pertinente falar. Futuramente irão ser apresentadas, de forma mais técnica e individual, várias problemáticas que de uma forma ou de outra alteram a nossa vida e o nosso quotidiano.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Natal, que sentimentos nos traz?

Nesta época festiva, existem determinados acontecimentos da nossa vida que sentimos com mais intensidade, quer seja porque fazemos uma retrospectiva do ano que passou ou porque determinados acontecimentos marcantes não nos deixam viver esta época repleta de magia e simbolismo de forma plena.
O Natal é uma época simbólica. Simboliza o nascimento e consequentemente simboliza o conceito que a nossa sociedade tem de família. É uma época em que habitualmente a família se reúne, e em que se tem a ideia mágica que todos os problemas e conflitos desaparecem por alguns dias. No entanto para outros, esta época em vez de mágica, torna-se muito amarga, pois é quando ficam mais presentes determinados acontecimentos marcantes da nossa vida, que acabam por ser vividos com mais intensidade. Para quem não tem família com quem se reunir, ou para quem viveu a morte de alguém próximo, ou vivenciou uma separação/divórcio recente ou para quem está a enfrentar um acontecimento difícil na sua vida, quer seja uma doença grave, problemas familiares, ou de outra espécie, é nesta altura que são mais sentidos. É uma altura em que o mundo pára. Para-se de trabalhar, a rotina diária que nos deixa adormecidos é alterada e há algo que nos acorda e nos faz pensar. E se não faz pensar, pelo menos faz sentir, algo que nem percebemos bem o que é, mas que se sente.
É importante salientar que a intensidade da dor de cada um depende muito da sua maturidade, personalidade, e experiência de vida individual.

Natal e Solidão


Para quem vive uma vida mais solitária, com conflitos ou distanciamento de familiares, é frequente sentir mais o peso da solidão, e do abandono. Poderão surgir alguns sentimentos de culpa, raiva, tristeza, mágoa, por estarem sós ou de abandono por sentirem que foram deixados sós. É nessa altura que uma pessoa se apercebe mais intensamente da solidão em que vive, sem por vezes perceber muito bem do porquê, ou dos reais motivos que a conduziram a uma vida mais solitária.
E se não se sabe o motivo real, então a dor poderá ser mais intensa e mais difícil de ser ultrapassada. Há que perceber bem o porquê dos nossos sentimentos, e o porquê do rumo da nossa vida, para depois podermos lutar e ultrapassar o que nos causa mal estar.

Natal e Luto


Para quem está de luto, é uma dor diferente, pois já existe um motivo, mas sentirmos que alguém que nos é querido, que todos os anos estava ali, e de repente deixa de estar, torna o Natal uma época difícil, em que sofremos pela perda, pelo luto que estamos (ou não) a fazer e pela pessoa que já não está presente, e que já não está ali a vivenciar aquele acontecimento junto de nós. É comum sentirmos essa pessoa mais viva dentro de nós, principalmente se a perda foi recente e/ou o processo de luto não estiver concluído. O recordar mais essa pessoa, lembrá-la no seu passado ou imaginá-la ali connosco são alguns dos pensamentos fantasiosos que é comum ocorrerem. Nesta situação, a procura especializada de um técnico que ajude, não só a suportar a dor, mas também a ultrapassar correctamente o processo de luto, é essencial para o retorno do nosso equilíbrio psíquico.


Natal e separação/divórcio

Uma separação/divórcio familiar, quer do ponto de vista do casal, quer do ponto de vista dos filhos é sempre sentido com muita tristeza, já que o casal sente com mais intensidade a alteração que ocorreu nas suas vidas. Semelhante ao processo de perda/morte de um familiar, aqui também há muitas recordações que virão à mente, quase um processo de luto, em que a pessoa está viva. É no entanto um sentimento diferente, pois nesse há a certeza de que nunca mais se vai estar com essa pessoa e não é uma separação opcional. Neste tipo de separação/perda, também podem ocorrer sentimentos de abandono (pela pessoa deixada), e culpa (pela pessoa que deixou), ou abandono e culpa por ambos, ou a simples recordação dolorosa de uma etapa que já terminou, quando a separação é de comum acordo e um processo efectuado de forma adequada. Quanto mais difícil for a separação, mais difícil será a vivência desta época de suposta harmonia, pois na sua vida poderão estar a vivenciar tudo, menos comunhão e paz.
Para os filhos de um casal recém separado, a situação pode-se tornar deveras mais complicada. A criança sofre pelos mesmos motivos dos adultos - pela mudança que ocorreu na sua vida, pelo abandono, ou porque sente a perda de um dos pais, ou porque os sente divididos e tem que se dividir entre eles, e sofrem pelo sofrimento que os pais sentem e não conseguem esconder. Este processo torna-se mais complicado se os pais não gerirem essa separação de forma equilibrada e sem conflitos. Agora imaginemos estes sentimentos nesta época do Natal com os pais a decidirem com quem a criança vai ficar, por vezes a colocarem o peso dessa decisão na criança, fazendo-a sentir-se culpada, quer escolha um ou o outro. De forma a minimizar este tipo de sofrimento na criança, é importante que o casal mantenha uma relação estável, de amizade e harmonia de forma a transmitirem à criança que apesar de separados, estão juntos para ela, estão lá para ela. Devem falar com ela sobre as decisões relativas ao Natal sem culpas ou mágoas. Decidindo sempre em união. Sabe-se que por vezes essa situação ideal nem sempre é possível. Por isso num processo de divórcio será importante haver um acompanhamento psicológico que ajude a gerir este tipo de situações e sentimentos. De forma a ajudar a família a saber viver com os acontecimentos da sua vida e a ultrapassá-los transformando-os sempre em algo positivo e construtivo para as suas vidas.
Independentemente do tipo de perdas que por vezes podem vir a doer para sempre dentro de nós, é importante percebermos que é possível diminuir substancialmente a intensidade dessa dor.
Acabei por focar três exemplos em que a época natalícia poderá trazer sentimentos pouco adequados ao que se espera dela, no entanto existem muitos mais exemplos, cada um especifico de cada pessoa que o vive e é completamente impossível prevê-los a todos.


terça-feira, 20 de novembro de 2007

Os Mitos da Psicologia

  • Ir ao psicólogo significa que estou louco

  • Para quê ir ao psicólogo se tenho amigos para desabafar

  • Ir ao psicólogo revela fraqueza

Ir a uma consulta de psicologia não significa que se esteja louco. Qualquer um de nós, poderá atravessar momentos difíceis na vida. Ou porque a vida assim o proporciona, ou porque algo no nosso desenvolvimento não correu como o esperado. Isso não implica que a pessoa enlouqueça, pode apenas significar que precise de “tratar” alguns aspectos da sua vida psíquica de forma a voltar a ter uma vida equilibrada.
O psicólogo é um técnico especializado com conhecimentos e técnicas de intervenção, que um amigo, por melhores que sejam as suas intenções, não tem. É por esse motivo que um desabafo com um amigo pode não ser suficiente para aliviar determinados tipos de sofrimento.
  • Não é fraqueza solicitar ajuda especializada que nos ajude a encontrar o nosso equilíbrio psíquico.
  • Não é fraqueza precisarmos de ajuda especializada quando enfrentamos momentos difíceis ao longo da nossa vida.
  • Não é fraqueza enfrentarmos os nossos medos e receios.
  • Não é fraqueza tentarmo-nos conhecer melhor.
  • Não é fraqueza pedirmos ajuda especializada que nos ajude a derrubar algumas barreiras que impedem o nosso crescimento e o alcance da felicidade.
É necessária muita coragem para sabermos quando devemos pedir essa ajuda de forma a ultrapassar as nossas dificuldades, buscar o nosso equilíbrio e conseguir estar bem connosco próprios.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Consulta em Psicologia Clinica e Relação Terapêutica

A Psicologia Clinica lida essencialmente com a parte afectiva do ser humano, e esta parte influencia todas as outras áreas do nosso funcionamento. Independentemente da faixa etária, quando estamos infelizes, não conseguimos ter o melhor dos rendimentos no nosso dia-a-dia, quer seja no trabalho/escola, ou em casa com a família, amigos, relações amorosas, etc. Quando não damos o nosso melhor rendimento, começamos a sentir-nos mais incapazes tornando a situação numa bola de neve, onde já não se sabe o que causa o quê, nem onde tudo começou.

Muitas vezes comportamentos e sentimentos (tanto nos nossos filhos/família ou em nós mesmos) que nos parecem à primeira vista desadequados nem sempre são sinais de alarme, por vezes podem simplesmente corresponder à fase de desenvolvimento em que a pessoa se situa, ou até serem adequados dependendo da situação que a pessoa está a viver no momento. No entanto nem sempre se consegue perceber isso, ou porque a pessoa está demasiado envolvida na questão, e/ou porque é uma situação complicada e dolorosa e por isso não consegue diferenciar o que é adequado ou não, quer nos seus familiares/filhos, quer em si mesma.

O papel do psicólogo clinico será o de ajudar a desembaraçar a confusão da vida da pessoa, fazendo com ela uma viagem em que a irá guiar de forma a conseguir encontrar o seu caminho, a sua realidade e claro a sua felicidade.

A psicologia clinica tem objectivos muito específicos em que “O psicólogo clinico avalia e trata de pacientes com problemas psicológicos. Realiza pesquisas sobre o comportamento normal e anormal, diagnóstico e tratamento” (Davidoff, 1980).

  • Relação Terapêutica

Uma consulta de psicologia tem sempre implícita uma relação entre o paciente e o psicólogo.
Segundo uma das definições do Dicionário de Psicologia, uma Relação é “qualquer ligação entre duas variáveis de tal modo que a variação, numa delas acompanha a variação produzida na outra” (Chaplin, 1981). Numa relação terapêutica, deve existir esta variação, no duplo sentido: Paciente- psicólogo e psicólogo- paciente. A viagem é muitas vezes conduzida pelo paciente (paciente- psicólogo) que guia o psicólogo através das suas experiências/sentimentos e com isso o conduz a um grau de entendimento do seu sofrimento. Por vezes o paciente também necessita de orientação e de um feed-back acerca do trabalho que ambos estão a realizar e nessa altura o movimento faz-se no sentido inverso (psicólogo- paciente).
Para que este movimento se dê, é necessário que seja estabelecida uma relação positiva entre as duas partes, em que o paciente se sinta seguro e confiante o suficiente para estabelecer um vinculo com o psicólogo de forma a poderem ambos trabalhar no mesmo sentido.
Nesta relação o psicólogo deverá respeitar a dignidade do Outro e os seus direitos enquanto indivíduo, deverá ter a responsabilidade para utilizar os conhecimentos adquiridos na formação e respectivos materiais de forma integra e honesta, e a competência para respeitar os seus conhecimentos e ter a consciência de continuar a investir na sua formação para melhor poder ajudar o Outro.
Num ponto de vista muito pessoal, numa relação terapêutica o simples facto de estar lá por vezes é mais do que suficiente para começar a produzir uma alteração positiva, e sentir que a palavra no contexto terapêutico deve ser utilizada com o máximo cuidado ao serviço do outro. Por vezes um olhar compreensivo poderá devolver ao outro a empatia necessária para se estabelecer uma ligação, transmitindo conforto ou transmitindo simplesmente a mensagem de que estamos com ele, que sentimos o seu sofrimento, que sabemos o que está a sentir.


Imagem de Van Gogh














quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O que é a Psicologia?

"SÓCRATES – Diz-me, Eutidemo, já estiveste alguma vez em Delfos?
EUTIDEMO – Sim, por duas vezes.
SÓCRATES – Reparaste então, numa certa parte do templo, na inscrição: ‘Conhece-te a ti mesmo’?

EUTIDEMO - Sim
SÓCRATES – Pois bem, olhaste-a com olhar distraído ou prestaste atenção e tentaste examinar quem tu és"
(Memoráveis, IV II).

Ao longo dos séculos o homem tem vindo a tentar responder à mesma questão: “O que é o homem?”.
Várias foram as ciências que se debruçaram sobre essa questão, desde a Biologia, que explica a nossa existência em termos físicos, a Antropologia que tenta perceber quem é o homem, a Sociologia que tenta ver o homem inserido em sociedade, entre outras. Existe uma que se debruça essencialmente em compreender o Homem e descobrir que caminhos tem o homem para compreender o outro.

Esta pode ser à primeira vista uma perspectiva mais filosófica, no sentido fenomenológico-existencial, no entanto como vimos no trecho acima, já na Grécia Antiga os filósofos se preocupavam com questões psicológicas. Podemos então dizer que a Psicologia aparece sempre que o homem sente a necessidade de se compreender a si e aos outros e de perceber os porquês dos seus sentimentos e atitudes. Também é visível neste diálogo que todas as intervenções de Sócrates são uma interrogação, numa tentativa de ajudar o outro a pensar por si mesmo. Esta é uma das componentes da Psicologia, ajudarmo-nos a conhecermos a nós mesmos e aos outros através do diálogo e da palavra. Mas para que não fiquem dúvidas quanto ao carácter cientifico da Psicologia, por esta aparentar ser subjectiva é importante salientar que se tornou ciência em 1879 quando Wundt criou o 1º laboratório experimental dando-lhe um cariz mais exacto. Enquanto ciência a psicologia vem explicar aquilo que é diferente, aquilo a que as pessoas não estavam habituadas, aquilo que de alguma forma estranhamos, quer em nós mesmos quer na sociedade em geral.
Esta ciência acaba por se dividir em várias áreas: educacional dentro das escolas, organizacional dentro das empresas, e clinica dentro das instituições de saúde. Recentemente, temos também a área da psicologia do desporto nas prácticas desportivas, e a psicologia criminal no âmbito da justiça e sistemas prisionais. No entanto cada vez se verifica mais que as diferentes áreas se tocam em muitos pontos, porque o ser humano não está dividido em parcelas, e tem que ser visto num todo. Daí a importância dos serviços de psicologia terem uma equipa multidisciplinar onde todos os saberes se tocam e se partilham para o bem da pessoa. A área mais emocional de um indivíduo vai acabar por influenciar o seu rendimento tanto a nível educacional, como laboral, qualquer que seja a sua área e o inverso também se verifica.

Foram-se criando diferentes linhas de intervenção em psicologia, entre as quais, a intervenção psicanalítica, a comportamental, e a cognitiva. Posteriormente derivadas da psicanálise, surgiram abordagens mais dinâmicas, outras vindas da filosofia mais fenomenológicas-existencialistas, outras mais humanistas como a terapia centrada na pessoa, as áreas cognitivas e comportamentais aliaram-se criando uma perspectiva cognitiva-comportamental e recentemente a vinda da neurologia surgiu a neuropsicologia.

No entanto, o que é essencial é saber-se que independentemente das áreas de actuação ou das linhas de intervenção a Psicologia é uma ciência que se debruça essencialmente em compreender o ser humano e o seu funcionamento de forma a explicar tudo aquilo que é estranho em nós e visa sempre pelo menos um resultado – a diminuição do sofrimento.


Imagem: "Metamorphosis of Narcissus" de Salvador Dali